É fato que o período de pandemia fechou muitas portas em todos os segmentos e magnitudes empresariais, mas pode se afirmar com toda a convicção que, no meio artístico, uma das classes mais atingidas e prejudicadas foi a musical. Não falo aqui de músicos de expressão nacional que cantam chifre, cerveja e mesa de bar e que mamam nas tetas da famigerada indústria fonográfica, esses estão de boa, interpretando suas musiquetas chinfrin e vendendo muito, pois no Brasil o mau gosto musical não tem limites. Falo de quem compõe, vogal por vogal, um texto musical chamado música autoral. Essa mesma, tão difícil de ser reconhecida, apoiada e divulgada no país. Pra não ser tão pesada nas palavras, posso dizer que, a nível de Belém, tenho visto grandes figuras do cenário musical local tentando retomar suas atividades artísticas com muito esforço e dificuldade, fazendo um verdadeiro malabarismo pra se reerguer e recomeçar. Ainda não se sabe se a poeira da pandemia realmente baixou, e muita gente ainda encara com restrição sair de casa pra ir a um barzinho ou casa de shows, mas no que pudermos e dentro das normas de segurança, convido aos que gostam de boa música a novamente voltar a prestigiar nossos compositores e músicos, bem como a apoiar a música autoral, vista com restrição pelos donos dos locais onde esses músicos se apresentam. Grandes nomes da música local já estão de volta a cena artística da noite paraense, e do dia também e opções não faltam. Vamos prestigiar, apoiar e comparecer. Cultura sempre vale muito a pena.
Sylvia Liger di Piagentinni
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